A figura materna é recorrente na música popular do Brasil

No Dia das Mães, uma relação de 10 canções em formas e ritmos variados

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Por Mauro Ferreira, do G1

Na foto acima, clicada por Januário Garcia e exposta na capa do álbum Muito (Dentro da estrela azulada) (1978), Caetano Veloso aparece deitado no colo de Claudionor Viana Teles Veloso (1907 – 2012).

Matriarca de uma das famílias mais importantes da MPB, Dona Canô – como era afetuosamente conhecida e chamada a mãe de Caetano Veloso e de Maria Bethânia – é citada nominalmente em algumas músicas do filho compositor, como Reconvexo (1989), samba lançado há 30 anos na voz da mana Bethânia. Em outras músicas, como Mãe, canção lançada na voz de Gal Costa em 1978, a presença soberana de Dona Canô está implícita na letra de Caetano.

Mães são presenças recorrentes no cancioneiro popular do Brasil desde que o samba é samba, sendo louvadas na MPB, no universo sertanejo, no samba, no rock e no mundo do hip hop.

Eis, no Dia das Mães, em ordem aleatória, uma relação de dez músicas que merecem menções (algumas até por nunca serem lembradas) nesse repertório matriarcal em que os ritmos podem variar, assim como o poder de sedução da melodia e como a qualidade poética das letras, mas o sentimento – o amor pela mãe em todas as formas – é imutável:

MÚSICAS

Mãe Maria (Custódio Mesquita e David Nasser, 1943) – Música lançada na voz do cantor Nelson Gonçalves (1919 – 1998), Mãe Maria celebra as mulheres que embalaram filhos (nem sempre saídos dos ventres delas) nos “serões da casa grande”. Há gravações emblemáticas de Dalva de Oliveira (1917 – 1972) e Maria Bethânia.

Minha mãe (César Lacerda e Jorge Mautner, 2018) – Musicado por César Lacerda, o poema de Jorge Mautner traça paralelo entre a figura materna e Nossa Senhora Aparecida, de quem são devotas Gal Costa e Maria Bethânia, intérpretes da canção lançada no mais recente álbum de Gal, A pele do futuro (2018).

Nossa Senhora (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1993) – Por ser ateu, Nando Reis preferiu não cantar, no recém-lançado álbum Não sou nenhum Roberto, mas às vezes chego perto (2019), a letra emotiva dessa bela canção em louvor à mãe de Jesus Cristo lançada na voz do devoto Roberto Carlos.

Oração de Mãe Menininha (Dorival Caymmi, 1972) – Voz patriarcal da Bahia de todos os santos e orixás, o compositor Dorival Caymmi (1914 – 2008) saúda a ialorixá Maria Escolástica da Conceição Nazaré, a Mãe Menininha (1894 – 1986) nesta música em feitio de oração afro-brasileira, propagada na voz do autor e em dueto histórico de Gal Costa com Maria Bethânia.

Mãe da manhã (Gilberto Gil, 1993) – Uma das músicas mais bonitas e menos ouvidas do cancioneiro de Gilberto Gil, Mãe da manhã pede benção à Virgem Maria. A composição foi lançada na voz de Gal Costa no álbum O sorriso do gato de Alice (1993).

Mamãe natureza (Rita Lee, 1974) – Na batida do rock, Rita Lee celebra os frutos da mãe natureza, cuja saúde é fundamental para a sobrevivência do planeta Terra.

Mãe baiana mãe (Aloísio Machado e Beto sem Braço, 1982) – A figura da mãe negra, matriarca dos filhos do Brasil mestiço, é exaltada neste samba-enredo com o qual a escola de samba Império Serrano desfilou em 1983 no Carnaval da cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Mãe de todas as vozes (Nando Reis, 2018) – Cantoras também são mães cujas vozes geram filhas musicais. Nesse blues, Nando Reis saúda a voz matricial e referencial de Gal Costa, ressaltando que a grande artista é ao mesmo tempo mãe das cantoras descendentes e filha das cantoras que a antecederam.

Amor de mãe (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1975) – Lançado pela cantora Maria Creuza, o samba é um dos títulos menos conhecidos (e menos inspirados do ponto de vista melódico) da obra dos compositores associados ao samba carioca.Choro de mãe (Wagner Tiso, 1978) – Neste tema instrumental composto em ritmo de choro, o compositor e pianista mineiro Wagner Tiso mostra que é possível evocar as mães sem palavras, através do sentimento entranhado na melodia.

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