Após estreia em Cannes, filme sobre mulheres combatentes é destaque no Sesc

Além de ‘Filhas do Sol’, o Festival Varilux de Cinema Francês também exibe ‘Os Dois Filhos de Joseph’, comédia dramática que reflete sobre masculinidade

'As Filhas do Sol' é um drama baseado em fatos reais

Questões de gênero entremeiam as duas produções que serão exibidas nesta sexta-feira (14.06) no Sesc Arsenal. ‘Os Dois Filhos de Joseph’, de Felix Moati, 28, questiona as funções da masculinidade numa crônica familiar contemporânea, enquanto ‘Filhas do Sol’ apresenta o drama baseado em fatos reais de mulheres curdas que formam um batalhão para lutar contra extremistas do Estado Islâmico. Os filmes serão exibidos às 18h e às 20h, respectivamente. A entrada é gratuita.

FILHAS DO SOL

Este será o segundo filme a ser exibido, porém vou começar por ele devido à sua relevância. Basta dizer, por exemplo, que ‘Filhas do Sol’ é o primeiro filme de mulheres combatentes na história do cinema.

“Nunca houve um filme de guerra sobre mulheres combatentes antes. É 2018 e nunca houve um filme de guerra sobre mulheres! Por um lado, acho que é impressionante e, por outro lado, me enche de esperança”, declarou a diretora, Eva Husson, 42, durante a estreia do filme no Festival de Cannes deste ano.

Neste gênero cinematográfico cujo imaginário sempre foi tipicamente masculino, não apenas pela presença majoritária de homens, mas também pela reprodução de códigos da virilidade simbolizados pela dominação e violência, Husson propõe uma perspectiva feminina em relação ao conflito entre o exército curdo e radicais do Estado Islâmico.

“O filme de Husson é, em primeiro lugar, um relato chocante da misoginia revirada de estômago e dos horrores doentios que as mulheres curdas encontraram nas mãos de seus vilões captores”, analisou o crítico francês Martyn Conterio.

O enredo, baseado em fatos reais, apresenta um grupo de mulheres yazidis que luta pela liberdade curda no Iraque, pegando em armas contra os grupos que sequestraram, estupraram e venderam mais de sete mil mulheres no país. Inclusive este batalhão feminino é composto por algumas das que conseguiram fugir após serem violentadas.

Na trama, ambientada no Curdistão, Bahar (Golshifteh Farahani) comanda as ‘Filhas do Sol’, batalhão composto por mulheres curdas. Além de libertar sua cidade, em poder de extremistas do Estado Islâmico, Bahar tem esperança de encontrar o seu filho sequestrado.

Neste contexto, Mathilde (Emmanuelle Bercot), uma jornalista francesa, cobre a ofensiva e registra a história dessas guerreiras. O encontro entre estas duas mulheres neste cenário caótico irá mudar a vida de ambas permanentemente.

“A cineasta alia um relato de guerra bonito e original e um retrato entusiasmante de combatente curda, estrelado pela resplandecente Golshifteh Farahani, que brilha na tela”, avaliou o crítico  Lorenzo Ciavarini.

OS DOIS FILHOS DE JOSEPH

O primeiro filme da noite, ‘Os Dois Filhos de Joseph’, escrito e dirigido por Felix Moati, 28, apresenta, como sugere o título, Joseph e seus dois filhos adolescentes, Joachim e Ivan. Eles formam uma família unida, porém não se dão conta de que elementos sutis ameaçam a solidez desta relação. Assim, além de questões relacionadas ao convívio familiar e às relações humanas de um modo geral, o longa também toca em questões como masculinidade.

“Orginalmente, eu queria questionar as funções do pai, filho e irmãos, três pilares da masculinidade, e falar de masculinidade. Vemos isso em debates atuais. Essa questão da virilidade está ultrapassada e eu acho que é a obsessão do nosso tempo, da qual ressurgiu todos os fascismos e populismos em todo o mundo”, comentou Moati à época do lançamento.

O protagonista do trio de personagens é Ivan, um menino de 13 anos que está descobrindo o amor. Ele tem como referências o pai, Joseph, e o irmão mais velho, Joaquim. No entanto, em determinado momento, estas duas figuras masculinas falham e o decepcionam, então o jovem começa a repensar se esses são os modelos de vida que ele pretende seguir.

“Refrescante e sedutor, o filme de retrata com ternura e humor uma crônica familiar tingida de melancolia”, avaliou o crítico Marcos Uzal, do ‘Libération’. Outra importante publicação francesa, o ‘Le Parisien’, considerou “leve e metafísico ao mesmo tempo, estrelado por atores que atuam de forma contida e com diálogos formidavelmente engraçados”. Esta é a estreia de Moati na direção. Porém, enquanto ator, acumula expressiva bagagem, como Rindo à Toa (2008), Anos Incríveis (2012) , e Banho de Vida (2018). Suas principais influências cinematográficas são Woody Allen, Sydney Lumet e Martin Scorsese.

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