Autores de Cuiabá lançam quatro livros através de selo editorial coletivo

Esta é a primeira remessa de livros publicados pelo recém-criado selo; Tudo foi viabilizado de maneira independente

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Em meados do ano passado, um quarteto de autores se reuniu para viabilizar a publicação de suas respectivas obras. O resultado dessa produtiva união pode ser conferido neste sábado (16.03), a partir das 16h, no Sebo Raro Ruído, próximo aos bares Cão Latino e Zapatta. Além do pré-lançamento de quatro livros inéditos, o evento marca o lançamento oficial do Arcada, um selo editorial coletivo focado em autopublicações.

A série inaugural do selo Arcada

Os idealizadores/autores são Lorenzo Falcão, Júlio Custódio, Danilo Fochesatto e Rodrigo Meloni. Eles viabilizaram tudo de maneira independente, sem auxílio de editais, leis de incentivo ou editoras. O principal e único apoio encontraram uns nos outros.

Segundo texto publicado por Lorenzo Falcão no site Tyrannus Melancholicus, “não é exagero dizer que os quatro livros são um recorte da literatura brasileira contemporânea produzida em Mato Grosso”.

Cada obra terá uma tiragem de 500 exemplares e estarão disponíveis, a princípio, apenas no Sebo Raro Ruído. Eles vão custar entre R$ 15 e R$ 20, a depender do título.

Esta é a primeira remessa de livros publicados pelo recém-criado selo do grupo, porém a ideia é dar continuidade às publicações, inclusive agregando novos autores e autoras. Eles esperam que parte das vendas destas quatro primeiras publicações possam ajudar a financiar futuras edições.

OS LIVROS

“Distribuidora Falcão – versos no atacado e varejo (L. Falcão)”; e “Você derrubou coisas pelo caminho (J. Custódio)” são obras de poesia. Enquanto “Lá, onde uma porta jamais parou de bater (D. Fochesatto)” e “Coitado do homem cujos desejos dependem (R. Meloni) são pertencentes ao gênero conto, sendo o primeiro livro uma coletânea e o segundo um único conto mais extenso.

“Distribuidora Falcão” é o quinto livro da carreira do jornalista e multiartista Lorenzo Falcão, imortal da Academia Mato-grossense de Letras, que se mostra tão feliz como se estivesse publicando o primeiro: “Felicidade é publicar minhas letras acompanhado por amigos, pessoas próximas acometidas pelo vício da palavra, que nem eu. E assim a gente vai vivendo e tropeçando nessa vocação que é transtornar a realidade do verbo nosso de cadadia”.

 

Quem de fato está lançando sua obra de estreia é o jornalista, articulador político, ativista gay e estudioso da comunicação de massa Rodrigo Meloni. “Coitado do homem cujos desejos dependem” é composto por um único conto sobre o personagem Diego Herculano. “É a história de sua trajetória, calcificada de dor, desespero, carinho, amor, vingança. Todos os ingredientes que nos formam estão ali. É rio que corre nas veias da vida. Assim como Herculano, este livro é um pouco ternura e um tanto cólera”, revela o escritor.

 

Em “Lá, onde uma porta jamais parou de bater”, Danilo Fochesatto nos brinda com um poema e trinta e um contos, coletânea garimpada ao longo de mais de uma década. Segundo o autor, o estômago de quem lê encontrará a porção comestível de sua produção literária, inédita ou não. E ele também desaconselha o uso de guardanapo de papel, pois as palavras devem sujar a boca de quem as mastiga. Portanto, alimente-se, literalmente, sem talheres.

capa danilo

Por fim, Júlio Custódio, tal qual sugere o título de seu livro, derruba coisas pelo caminho, como este poema:

“perceba o animal de estimação
foi preciso ele arranhar a porta
reclamar numa língua esquecida
e dormir sem roupa na frente de todos
eu vi você olhando

vi você em uso no passeio público
junto a vossa bondade
derrubando coisas pelo caminho
me pareceu o certo a se fazer
devolver sua antiga prataria

não estranhe, nada aqui é meu”

(Trecho do prefácio do livro ‘você derrubou coisas pelo caminho’, de J. Custódio)

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