Cine Teatro exibe filme estrelado por mulher trans

“Lembro Mais dos Corvos” tem como personagem principal a própria atriz Julia Katharine discorrendo sobre suas experiências pessoais

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Cena de “Lembro Mais dos Corvos”

Durante uma noite de insônia, a atriz, roteirista e diretora Julia Katharine relata e reflete sobre algumas de suas vivências em uma conversa espontânea e honesta com o cineasta e amigo Gustavo Vinagre.

Esta é a premissa do documentário “Lembro Mais dos Corvos”, que será exibido, às 19h30 desta terça-feira (28.05), no Cine Teatro Cuiabá como parte da programação da “Sessão Vitrine”. A entrada custa R$ 4 (inteira) / R$ 4 (meia) e a classificação indicativa é de 18 anos.

Este é o primeiro longa-metragem dirigido por Gustavo Vinagre, que, na verdade, é uma imensa ode à sua personagem principal: Julia Katharine, mulher transexual que se põe a falar e expor detalhes e intimidades de sua vida diante da câmera.

De formato extremamente simples, uma câmera gravando os depoimentos de Julia em sua própria casa ao longo de uma única noite, “Lembro Mais dos Corvos” é o típico caso em que a personagem é maior do que o filme em si. Mas isto não chega a ser um demérito, pois o intuito do diretor era justamente este.

Amigo pessoal de Julia, a quem já escalou em alguns de seus curtas pregressos (Os Cuidados Que Se Tem com o Cuidado Que os Outros Devem Ter Consigo Mesmos (2016) e Filme-Catástrofe (2017)”, Gustavo se vale de tal proximidade para colher depoimentos reveladores e muitas vezes dolorosos, que expõem situações pesadas envolvendo pedofilia, abuso sexual e todo tipo de preconceito.

A espontaneidade e carisma da personagem principal apresenta algumas pérolas ao público, como esta análise do filme Ninfomaníaca: “É conto da carochinha perto do que eu fazia. Lars von Trier devia ter me procurado para fazer um filme melhor.” Ou como quando avalia seu gosto por comédias românticas. “Se eu me tornar cineasta só quero rodar comédias românticas, para compensar todo o romance que não tive na minha vida.”

Enfim, além de atriz protagonista, Julia é a dona e narradora da história. Tanto é sua atuação e co-roteirização neste longa lhe rendeu o Prêmio Helena Ignez da 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes, como o grande destaque feminino.

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