Espetáculo ‘A Vila de Pantolux’ explora magia do Teatro de Sombra

‘Grupo Penumbra’ trabalha com figuras recortadas, atores e próteses corporais para contar a história de uma Vila ameaçada pela construção de uma hidrelétrica

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O espetáculo se inspirou na inundação da Comunidade João Carro, impacto gerado pela construção da Usina do Manso

O Grupo Penumbra, como sugere o nome, é o único em Mato Grosso a trabalhar com Teatro de Sombra. Para quem não está familiarizado com este tipo de linguagem teatral, trata-se de “uma tela, uma fonte de iluminação e algum obstáculo entre a tela a fonte de luz para projetar a sombra”, explica Juliana Graziela, diretora do espetáculo “A Vila de Pantolux”, que será apresentado nesta sexta e sábado (26  e 27 de abril), às 19h30, no Cine Teatro Cuiabá. A classificação indicativa é livre e a entrada custa R$ 20 (inteira) / R$ 10 (meia).

Portanto, trata-se de uma história projetada nas paredes da sala, como quando projetamos imagens utilizando uma lanterna e as próprias mãos. Quem nunca?! No entanto, no caso deste espetáculo, por se tratar de teatro de sombra contemporâneo, não são projetadas apenas imagens de figuras. “A gente trabalha com figuras recortadas, com ator, e também com próteses corporais”, pontua Juliana. Estas próteses são extensões do corpo do ator, como por exemplo uma cabeça de papelão que ele coloca por cima da própria cabeça.

E além da fusão destas três técnicas (figuras, atores e próteses), um outro elemento chama atenção na construção deste espetáculo. Em alguns momentos, o ator/sombrista subverte o convencional ao revelar como está sendo projetada a sombra e abandonar a tela branca. A intenção é justamente que o “espectador veja, sinta e tenha essa experiência de como é formada a sombra”, revela Juliana.

No teatro de encenação tradicional, quando a personagem “sai de cena” e interage com a plateia, isso provoca, geralmente, uma pequena quebra na narrativa, é como se, por algum momento, o público saísse da história que se passa no palco ao perceber que aquilo não está acontecendo de verdade, afinal é apenas encenação. Essa interação com o público é chamada de “a quebra da quarta parede”. E fazendo uma analogia com o Teatro de Sombra e com a proposta do Grupo Penumbra de revelar ao público como são formadas estas sombras, é como se fosse uma “quebra da quarta parede” neste tipo de linguagem. Espero não ter sido confuso. Enfim, sigamos com a história de “A Vila de Pantolux”.

HISTÓRIA DO ESPETÁCULO

Tudo se passa numa vila do interior em que os moradores sentem cada vez mais necessidade de consumir energia. Mas até que ponto isso é possível sem acarretar problemas? Este conflito é vivenciado por três personagens: uma mãe, um filho e um amigo.

O espetáculo se inspirou na inundação da Comunidade João Carro, impacto gerado pela construção da Usina Hidrelétrica do Manso. Inclusive, Elton Martins, um dos sombristas que compõem o Grupo Penumbra, morava na comunidade.

Então, além da experiência pessoal desta vivência, a escolha de se trabalhar com a temática relacionada à hidrelétrica partiu das pesquisas do grupo, que foi centrada em fontes de energia. “Como sou formada em física, queria trabalhar com ciência”, acrescenta Juliana.

GRUPO PENUMBRA

De acordo com o dicionário, ‘penumbra’ é o ponto de transição da luz para a sombra. Essa fascinação pelo Teatro de Sombra possibilitou que os artistas Juliana Graziela e Jair Júnior, ambos integrantes do grupo, participassem de uma residência de Teatro de Sombra intitulada “Territórios Desconhecidos: Vivência no Teatro de Sombras”, que aconteceu no início deste ano no Rio Grande do Sul.

A residência foi ministrada por artistas da Cia Lumbra-RS, um coletivo que é referência internacional nesse tipo de linguagem. “Podemos aprofundar nossos conhecimentos, estar em contato com outros grupos e pessoas que estudam e trabalham com a linguagem da sombra”, comenta Juliana.

E ela também explica que a vontade do Penumbra “é difundir essa linguagem porque ela é capaz de expandir nossos horizontes”. Afinal de contas, “essa magia do Teatro de Sombra”, conclui a artista, “te leva a outro mundo”.

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