Mormaço Severino pode representar MT em um dos principais festivais de música do país

A banda de Cáceres, que propõe experimentações sonoras e uma poética marginal, precisa de votos do público para participar de festival que conta com Alceu Valença, Marcelo D2, Zeca Baleiro, Pitty, BaianaSystem e outros

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Jheine (foto) é a vocalista do 'Mormaço Severino'

O João Rock, um dos principais festivais de música do país, acontecerá no dia 15 de junho, em Ribeirão Preto – SP. Além de várias atrações nacionais confirmadas (Alceu Valença; Marcelo D2; Zeca Baleiro; Pitty; BaianaSystem; Emicida, Rael e Mano Brown; Rincon Sapiência; e Capital Inicial), o festival também dá espaço, através de um Concurso, para bandas que ainda procuram seu espaço no cenário nacional. E o ‘Mormaço Severino’, de Cáceres-MT, é uma das que precisam de votos do público para se apresentar no festival.

“É importante mostrar que Mato Grosso, inclusive o interior, está produzindo música. Isso é importante pra ter um olhar voltado para o meio do mato, onde a gente vive, no Pantanal…”, explica o guitarrista e compositor Rauni Vilasboas.

Rauni Vilasboas é compositor e guitarrista

Além dele, o grupo é composto por Janaina (Jheine) Lima (vocal); Ronaldo Gonçalves (baixo e compositor); Diego Vicente (teclado); Luis Guilherme (bateria) e Welington Fernandes (percussão). O Mormaço já possui uma década de estrada e sempre trabalhou exclusivamente com trabalho autoral.

A musicalidade do grupo é rica em experimentações sonoras que possibilitam o trânsito por diversos gêneros. “A gente é livre pra usar outros estilos dentro das nossas músicas”, pontua Rauni. Há de se destacar também a inventividade poética das letras. “Gostamos da vertente marginal, underground. A boca do lixo. A gente gosta disso, do estilo mundano. Gostamos de falar tanto do calor do dia quanto do vazio da noite”, acrescenta.

O próprio nome ‘Mormaço Severino’, de acordo os integrantes, “carrega conceitos que descrevem a agonia e marasmo de poesias escritas e cantadas em uma cidade quente e pesada”. Por isso, complementa Rauni, o grupo faz uma “releitura renegada” de Cáceres, focando em aspectos negligenciados pelo poder público municipal.

“A gente quer denunciar as mazelas. É um ato político também. Falar sobre o social, sobre os esquecidos. Tentamos dar voz a quem não tem voz”, comenta. E, neste sentido, uma possível participação no João Rock, segundo o guitarrista/compositor, seria bom para todo o setor musical mato-grossense, principal no interior. “Beneficiaria bandas locais, não só de Cáceres, mas do interior mesmo, que estão surgindo ou estão para surgir, que ainda estão incubadas”, argumenta.

Em Cáceres, por exemplo, o Mormaço já é uma referência. “A gente ajudou a plantar uma semente aqui. Agora já existem outras pessoas, outras bandas que fazem músicas autorais. Outros compositores estão surgindo. Estão experimentando fazer música autoral. E a gente vê isso com muita gratificação”, relata.

‘Mormaço’ está na estradá há dez anos e só trabalha com música autoral

E embora ainda esteja buscando romper fronteiras espaciais, no caso as limitações geográficas impostas à Mato Grosso, e mais especificamente Cáceres, o grupo já vislumbra o rompimento de fronteiras temporais através da música. “A gente faz parte do novo, assim como também vai ser passado. A gente é uma porta de entrada para coisas novas que vão vir no futuro. E a gente nunca sabe como vai ser”, reflete Rauni.

E, no que diz respeito às experimentações sonoras, vale ressaltar outra característica peculiar do ‘Mormaço Severino’. O grupo utiliza instrumentos de percussão criados a partir de objetos reciclados, como tampinhas de garrafas pet e de vidro, chocalho artesanal, além de materiais descartados nas ruas que são adaptamos musicalmente durante as apresentações. “Música não é feita apenas com instrumentos convencionais. Música é tudo. A gente não procura uma fórmula, uma regra… Eu mesmo não me considero músico, me considero artista”, conclui Rauni.

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