Poeta preso na ditadura lança livro com poemas sobre infância em Cuiabá

O cuiabano Nicolas Behr, um dos grandes nomes da ‘Poesia Marginal’, dedica uma das três partes da obra para apresentar 69 poemas inéditos escritos a partir de suas vivências na capital de MT

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Nicolas Behr publicou mais de 50 livros, incluindo seus livrinhos mimeografados independentes - Foto - Alexandre Fortes CAPA (1)

“Menino de Cuiabá” é o título de uma das partes do livro “Nicolas Behr: o menino do mato que engoliu Brasília”. As outras duas partes, intituladas “Menino Diamantino” e “Menino Candango”, compõem a obra que será lançada nesta terça-feira (16.04), a partir das 17h30, no Sesc Arsenal. O livro custa R$ 69,90, mas será comercializado por R$ 60 durante o lançamento.

Nicolas Behr, poeta brasileiro associado à Geração mimeógrafo e à Poesia Marginal, é cuiabano, mas se mudou bem cedo para estudar em Diamantino-MT. Alguns anos mais tarde voltou para a capital mato-grossense, onde viveu dos 10 aos 14 anos, quando se mudou novamente, desta vez para Brasília. E “Menino de Cuiabá”, uma das partes do livro, traz 69 poemas inéditos escritos a partir das vivências de Nicolas na Cidade Verde, aproximadamente entre 1968 e 1973.

Um das fotos da infância de Nicolas Behr (ao centro) em MT

Em 1974, quando tinha apenas 14 anos e o país vivia em plena ditadura militar, ele sai “do mato para caiar na maquete”, como diz um deus poemas. Na maquete, no caso Brasília, ele logo se torna uma das principais vozes da Poesia Marginal, ao lado de Chacal e Chico Alvim

No entanto, em agosto de 1978, após ter escrito “Grande circularCaroço de goiaba e Chá com porrada”, foi preso e processado pelo DOPS (órgão repressor da ditadura) por “porte de material pornográfico”.

O auto de prisão da época registra que Nicolas foi detido “por publicar livretos de cunho pornográfico” nos quais “o interrogado deixa transparecer cunho político-ideológico, esclarecendo que realmente manifesta-se descontente com muitas coisas existentes no regime, como falta de eleições diretas, vigência de atos de exceção e ocorrência de tortura a presos políticos”. Ele só foi julgado e absolvido mais de sete meses depois, em março de 1979.

“O Menino do Mato que Engoliu Brasília”

Além da parte destinada aos poemas a partir das vivências em Cuiabá, as outras duas partes também têm o espaço físico como elemento determinante. “Menino Diamantino” é a primeira parte e apresenta poemas sobre a infância do autor no interior mato-grossense. E o último capítulo, “Menino Candango”, reúne poemas da fase adulta, já na capital do país

“É o livro mais completo sobre a minha obra”, destaca o autor

“É o livro mais completo sobre a minha obra”, destaca Nicolas Behr. “Fico ainda mais feliz por ser lançado quando minha cidade natal completa 300 anos e por se tratar de um trabalho realizado com extremo profissionalismo por uma editora cuiabana [Entrelinhas]”, complementa.

Sob esta perspectiva, o livro vai além das muitas possibilidades de leitura da obra de Behr – é também uma provocação e um exemplo do protagonismo que os jovens podem exercer em contraposição às adversidades do seu tempo e território.

Nicolas Behr

O cuiabano publicou mais de 50 livros – incluindo seus livrinhos mimeografados –, a maioria deles independente. Behr é filho de migrantes dos países bálticos. Sua mãe, Therese, nasceu na Lituânia e seu pai, Anatol, na Estônia.

Sua família vivia na fazenda ‘Amolar’, a 20 quilômetros de Diamantino. Lá Nicolas viveu seus primeiros 10 anos, entre cobras, goiabeiras, lagartos e lambaris, até mudar-se para Cuiabá no ano em que implodiram a Catedral.

Na Capital Federal, lançou, em 1977, “Iogurte com farinha”, seu primeiro feito em mimeógrafo, e vendeu 8 mil cópias de mão em mão pelos bares e outros locais públicos. Entre 15 de agosto de 1978 a 30 de março de 1979, impedido de publicar por ordem da ditadura militar, escreveu poemas em telhas frescas, depois queimadas, série esta denominada “O que me der na telha”. E teve o seu perfil biográfico traçado pelo jornalista Carlos Marcelo no livro “Nicolas Behr – Eu Engoli Brasília”, publicado em 2004.

Valor: R$ 69,90 (sendo R$ 60,00 no lançamento)

Local: Sesc Arsenal

Quando: 16 de abril de 2019, das 17h30 às 21h30

Um dos poemas sobre suas vivências em Cuiabá


1 COMENTÁRIO

  1. Muito interessante este espaço.Gostei muito. Matou a saudade que eu tenho de Cuiabá Mt onde estudei no Internato do Liceu Salesiano São Gonçalo,na épocva diretor Pe Raimundo Pombo (corumbaense).Um abraço forte do Movimento Cultural de Corumbá ms

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