Clássico do teatro francês é celebrado com dois filmes no Sesc

“Cyrano, Mon Amour (2019)“ conta a história de como a icônica peça foi escrita; “Cyrano de Bergerac (1990)”, estrelado por Gérard Depardieu, é sua célebre versão cinematográfica

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"Cyrano, Mon Amour" começou a ser pensado há 20 anos

Maior festival de filmes franceses fora da França, o Varilux irá exibir 16 filmes inéditos no Brasil e um clássico até o dia 19 de junho. E, nesta quinta (12.06), após sete dias de sessões e 10 longas inéditos, o festival exibe duas produções que dialogam intimamente entre si. A entrada é gratuita.

A primeira a ser exibida, às 18h, é “Cyrano, Mon Amour (2019)”, de Alexis Michalik. E em seguida, às 20h, é a vez justamente do clássico desta temporada, “Cyrano de Bergerac (1990)”, estrelado por Gérard Depardieu e dirigido por Jean-Paul Rappeneau.

Ambos os filmes têm em comum a relação com a peça “Cyrano de Bergerac”, uma das mais populares do teatro francês e a mais famosa do seu autor, Edmond Rostand. A obra é livremente inspirada na vida do escritor libertino Savinien de Cyrano de Bergerac (1619-1655).

A atuação de Gérard Depardieu lhe rendeu o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes

Após a primeira encenação, em 1897, o espetáculo já foi montado mais de 400 vezes e a obra foi traduzida em mais de 40 línguas, tendo seu personagem principal considerado um arquétipo humano como Hamlet e Don Quixote.

O primeiro filme (em ordem de exibição), “Cyrano, Mon Amour (2019)“, aborda de forma bem humorada os bastidores da criação da peça, focando numa crise criativa do escritor Edmond Rostand. Trata-se de uma celebração ao teatro, sobretudo ao processo tortuoso de criação de um espetáculo, desde escrita à encenação.

O segundo filme, “Cyrano de Bergerac (1990)”, é uma adaptação cinematográfica da obra-prima de Edmond. E assim como a peça para o teatro, o filme também se tornou um clássico para o cinema francês. Além de ganhar dez César (principal premiação do cinema na França), também faturou o Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro e foi indicado ao Oscar. E no 43º Festival de Cannes, Gérard Depardieu ganhou o prêmio de melhor ator.

“Cyrano de Bergerac (1990)”

Apesar de ser o segundo a ser exibido, às 20h, considero ser mais prudente, levando em consideração sua importância, começar por este filme. Roteirizado pelo mestre Jean-Claude Carrière, dirigido por Jean-Paul Rappeneau e protagonizado por Gérard Depardieu, o resultado já era previsível. O longa teve um sucesso fulminante, levando quase 5 milhões de espectadores aos cinemas franceses, fora os quase 2 milhões pelo resto do mundo.

Orçado em 15 milhões de euros (quantia exorbitante para um filme francês na época), a adaptação da complexa peça entremeia comédia heroica, tragédia clássica e romantismo.

Embora com algumas adaptações, Carrière e Rappeneau mantiveram boa parte dos versos originais para não perder a musicalidade. A dupla também diminuiu o texto original em alguns lugares, além de acrescentar cenas anexas, em geral mudas, que enriqueceram a obra na linguagem cinematográfica.

Cyrano, Mon Amour (2019)

Embora lançado este ano, “Cyrano, Mon Amour” começou a ser pensado há cerca de duas décadas, e, desde o início da pré-produção, levou mais de 15 anos até chegar aos cinemas.

Tudo começou quando Alexis Michalik, diretor, roteirista e ator franco-britânico, assistiu ao filme “Shakespeare Apaixonado (1998)” e avaliou que aquele tipo de narrativa poderia servir para uma versão francesa. Pouco depois, leu a icônica peça de Edmond Rostand. Deste encontro de referências surgiu a ideia do filme, que já foi visto por mais de 500 mil pessoas na França.

Michalik tomou muitas liberdades durante o processo de construção, inclusive admite que inventou a rivalidade com o dramaturgo Georges Feydeau (interpretado pelo próprio Michalik) para que este personagem funcionasse como contraponto a Edmond Rostand.

A história do filme se passa em Paris, em 1897. Na ocasião, Edmond tinha 29 anos e não escrevia nada há dois. Desesperado por trabalho, oferece ao grande ator Constant Coquelin uma nova peça, em verso, para ser entregue no período de festas. No entanto, há apenas uma preocupação: o texto ainda não está escrito e o enredo da trama sugere que tudo dará errado. E embora o público saiba exatamente onde a aventura chegará, o foco do filme é levantar o questionamento sobre seu percurso: como este caos criativo resultou num clássico absoluto?

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